segunda-feira, 25 de março de 2013

CHUVA NA JANELA

Londres 1930...



Chovia, a água escorria pela janela fazendo com que Heitor sentisse remorso por não ter aproveitado mais dias de sol, sua tristeza era tão grande que cada pingo de chuva ao alcançar o Rio Tâmisa doía em seu coração como uma facada, sua unica companheira era uma xícara de chocolate quente com hortelã que espalhava o aroma por todo o albergue onde Heitor dormia, nada mais era interessante naquele lugar, nada acontecia e somente o medo do passado voltar a tona o trazia algum sentimento, seu maior medo se tornava realidade cada dia mais, ficar sozinho era o que ele mais temia e ao olhar em volta só via solidão, por isso não tirava os olhos da janela, talvez algo acontecesse. e então um cachorro do dono da floricultura a beira do rio Tâmisa, Heitor observava o cachorro brincando sozinho do lado da Floricultura que mais parecia uma banca de jornal florida e via que o cachorro estava magro e isso o tocava um pouco, o cachorro brincava do outro lado da rua, a Beira do Rio e a chuva havia parado e Heitor não perdeu tempo, passou a mão em um pão velho e algumas salsichas e desceu as escadas do albergue dando bom dia para todos, inclusive para o Berg do Albergue, um rapaz que era muito tímido  mas ainda sim era o único amigo de Heitor, Heitor se sentou na escada da porta do Albergue e ficou ainda observando o cachorro brincar e então o chamou assobiando e balançando a salsicha, quando o cachorro viu o balançar das mãos de Heitor ele logo se preparou e correu em direção a Heitor, mas foi surpreendido por um carro e por outro e tentou voltar, e quando voltou foi pego em cheio por uma bicicleta onde a moça que a pilotava ainda tentou se equilibrar mais acabou caindo em um dos canteiros da floricultura, Heitor sem perder tempo correu em direção a moça e a levantou do canteiro com apenas uma mão.
- Meu Deus o que Houve com o cão?
Disse a moça preocupada com o cachorro.
- Ta tudo bem com você senhora?
Foi quando Heitor olhou nos olhos da moça mais linda que ele Havia conhecido e por um instante se arrependeu de a chamar de senhora.
- Senhorita por favor, para ser mais especifica, me chame de Sarah, agora vamos ver o Cachorro.
- Para ser mais especifico "Vamos ver o Pulgas" esse é o nome dele, o meu nome é Heitor.
ela apenas sorriu para ele.
Ao chegarem próximo ao Pulgas ele estava deitado lambendo as patas e era obvio que ele estava machucado, Sarah não conteve a cara de tristeza e logo pergunto:
- Você mora por aqui? tem algum lugar que eu possa ajudar o Pulgas?
- Moro logo ali naquele Albergue, podemos leva-lo para lá e cuidar do Pulgas
Heitor pegou Pulgas no colo e atravessou a rua enquanto Sarah levava sua bicicleta até a entrada do albergue.
Ao subir as escadas Sarah observava a variedade de moradores nos quartos, observava Heleonora uma senhora Gordinha que cozinhava cantando e de portas abertas, em um dos lados via o Senhor Jonis, um velho jornaleiro e Também Berg, que ao ver Sarah abriu os olhos com espanto e fechou a porta assustado e com vergonha.
- Pronto, chegamos.
Disse Heitor com um pouco de vergonha do local onde ele morava.
- Mas que cheiro gostoso esse, o que é?
- Acredito que você esteja falando do meu chocolate com hortelã.
- HUMMM... posso provar?
- Claro, mas já vou logo avisando, ainda não sou formado em cozinha, apenas sou um entusiasta...
Disse Heitor com vergonha de admitir que sabia cozinhar porque aprendeu com sua avó, a unica de sua família que lhe dava carinho, amor e respeito.
- Nossa, mas isso é maravilhoso.
Disse Sarah arregalando os olhos surpresa.
- Se você cozinha dessa forma, quero ser sua amiga para sempre.
E nessa hora Heitor estremeceu dos pés a cabeça, apenas uma possibilidade de não ser mais sozinho como era, pois até mesmo Berg tinha amigos, estranhos, mas eram amigos.
- Vamos cuidar do Pulgas.
Heitor não sabia, mas Sarah era apaixonada por animais tanto quanto ele, e ainda por cima tinha uma mãe veterinária e logo ela constatou que o cãozinho estava com uma das patas quebradas.
- Heitor, esse cãozinho tem dono?
- Tem e Não tem, o dono dele não liga muito para ele.
- Logo vi, ele está muito magro, se ficar na rua nesse frio pode acabar morrendo.
- Posso cuidar dele aqui, não se preocupe.
- Podemos ajuda-lo juntos, você faz a comida dele e eu venho fazer os curativos todos os dias quando eu sair do meu trabalho.
- Ok, pode ser assim.
E eles se olharam e viram algo em comum, um brilho diferente e uma oportunidade de futuro...

Sarah deixa a casa de Heitor olhando para trás e sorrindo, a noite cai mais rapido que ele pensa...

- Desde o cair da noite eu não paro de pensar em Sarah, o que está acontecendo comigo?
Heitor se surpreende com tal pensamento

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